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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

2009 Ano Internacional da Astronomia

Essa noite eu tive um sonho de sonhador, alto astral , sonhei que o domo do Senado havia se transformado no Planetário do Senado. E, projetávamos neste zimbório as constelações do Centauro, do Touro, do Leão, do Caranguejo, da Andrômeda, da Cassiopéia e da Libra. Tudo com muitas explicações, todas muito auspiciosas. Todas estas constelações giravam na grande abóboda, tão bem desenhada pelo estimado Oscar Niemeyer, com suas tangentes, bem calculados pelo dedicado e aplicado Lúcio Costa. Daí acordei aflito na impossibilidade desta projeção zodiacal em Brasilia. Na Astronomia tem três constelações de Cães e nenhuma do Gato. Observe que até insectos, bem inferiores aos gatos foram agraciados. O pequeno, peçonhento e nojento Escorpião, tem uma enorme Constelação, que mais parece um bicho transgênico, uma Lagosta, que em processo de mutagênese se transformou num Lagospião, mas a ausência da Constelação do Gato, é um grande mistério. Cão Maior, Cão Menor, Cães Caçadores e nada de Gatos... Os Astros não miam, ou Astro-no-mia, pode ser, pode ser, só sei que nada sei.
Mas, para este auspicioso dia 27 de Agosto de 2009, uma efeméride que marca os quatro séculos de comemoração de Galileu Galilei neste Ano Internacional da Astronomia, que está passando de forma sorrateira, quase desapercebida, anódina, tal e qual o Cometa Lulin que teve sua rápida e desapercebida passagem em 29 de Fevereiro. Deveríamos, homenagear a Astronomia e propor um brinde a Galileu Galilei, Kepler, Isaac Newton, Ticho Brahe, Ernst Tempel, Horace Tuttle, Heinrich Olbers, Denison Olmstead, e uma centena a mais, e eu também ! - Salve !
The toast is for all of them.

As Luas de Júpiter

Amigo leitor,
A astronomia é muito mais divertida quando você não é um astrônomo. Hoje, 20 de Julho de 2009, faz 40 anos que o homem foi à Lua. Muitas pessoas duvidam do grande feito da engenhosidade humana, pois eu vos asseguro, é verdade ! Eu estava lá na praia de Pontal do Sul, em Julho de 69, quando a tevê "Invictus", marca que já não existe mais, mostrou no meio de muito chuviscos e estáticas um homem falando que aquele fato era um grande passo para a humanidade. Havia muitas celebridades, depoimentos, muita pompa e circunstância e coisas tais... Então fui dormir porque já era bem tarde, e fiquei pensando na solidão dos homens na Lua, na solidão da praia, na solidão dos astros. Mais tarde, bem mais tarde o Alceu Valença fez uma linda música sobre solidão, poesia e astronomia. Talvez, isso seja o que chamam de "Universos Paralelos"; quem sabe, né ?
Quanto a mim ? Um engenheiro errante, sei contruir muros, agora estou aprendendo a construir pontes... Tento explicar o que seja sistemas lineares e cíclicos, dentro de uma visão sistêmica. Pretendo através da Epistemologia, que é o conjunto de conhecimentos que têm por objeto o conhecimento científico, explicar os seus condicionamentos (sejam eles técnicos, históricos, ou sociais, sejam lógicos, matemáticos, ou lingüísticos), sistematizar as suas relações, esclarecer os seus vínculos, e avaliar os seus resultados e aplicações, uma revisão do modelo fordista.Mas, no sábado passado, 18 de Julho de 2009 estivemos no Observatório Astronômico do Colégio Estadual do Paraná, e tivemos um instante feliz. Havia uma condição atmosférica aberta, muito rara aqui em Curitiba. Foi possível observar Júpiter de forma esplendorosa, com toda a sua magnitude. Ele estava alí para ser visto e admirado. O céu estava aberto e por alguns instantes, alguns minutos, dava para ver as cores das estrelas Sirius e Vega que cintilavam como diamantes, além do aglomerado estelar de ômega do Centauro, com suas milhares de estrelas reunidas, uma condição de vista muito especial.
Enorme, Júpiter se apresentou com três de suas muitas Luas, dava para ver muito bem suas listas de lagarto. Suas luas ? Acho que era Io, Europa e Ganimedes, talvez Calisto, pode ser. Júpiter tem muitas Luas, não se sabe quem era quem, temos que aceitar as que foram vistas como Ganimedes, Io e Europa, as mais importantes. Temos que aceitar todos os fatos da vida como são. Não vá o diabo morar nos pequenos detalhes de saber quem era quem naquela hora...
Alceu Valença - 'Solidão'
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A solidão é fera, a solidão devora.
É amiga das horas prima irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos,
Causando um descompasso no meu coração.
Asolidão é fera,É amiga das horas,
É prima-irmã do tempo
É faz nossos relógios caminharem lentos
Causando um descompasso no meu coração.
A solidão dos astros;
A solidão da lua;
A solidão da noite;
A solidão da rua...

Os Asteróides e Cometas

Os asteróides podem ser considerados minúsculos planetas que fazem parte do sistema solar, se movem em órbitas elípticas entre as órbitas de Marte e Júpiter. O grande planeta gasoso, protege a Terra capturando todos estes corpos celestes como um grande imã. Este escudo protetor serve para evitar os grandes impactos no planeta Terra. Através da captura destes corpos celestes, ao longo de milhares de anos, o planeta gasoso vai acrescentando massa em seu núcleo sólido. Portanto, a vida na Terra somente foi possível devido às condições celestes muito especiais na sua formação. Quando estes asteróides não são capturados, escapando do campo gravitacional de Júpiter, os cataclismos acontecem. Milhares de impactos já sucederam na longa história geológica da Terra, como no início do século passado em Tunguska, região das tundras na Sibéria. Os maiores e mais representativos asteróides são Ceres, com um diâmetro de aproximadamente 930 km , além de Pallas e Vesta, com diâmetros de aproximadamente 550 km. Os asteróides são batizados pela União Internacional dos Astrônomos.
Um astrônomo, após descobrir um asteróide desconhecido, deverá buscar a confirmação da sua descoberta, através da observação do corpo celeste por outro astrônomo num período de diversas órbitas, e comparar a massa e a órbita deste asteróide com a posição de outros asteróides conhecidos. Se realmente se tratar de um novo asteróide, não identificado, o astrônomo responsável pela descoberta poderá batiza-lo. No final da década de '80, uns 75 asteróides, chamados com o sugestivo nome "Amor" , foram descobertos na intersecção da órbita de Marte, e o asteróide 50-Apollo estava intersectando a órbita da Terra. E nada menos do que o 10-Atenas asteróide tinha órbita menor do que a órbita terrestre. Um dos maiores asteróides internos é o 443-Eros, um alongado corpo celeste, semelhante a uma batata, medindo 14 por 37 km. O peculiar Apollo e o 3200-Phaethon, com 5 km de largura, gravitam em torno do Sol a cerca de 20.9 milhões de quilômetros, órbita mais próxima do que qualquer outro asteróide conhecido. Isso também é associado com o anual retôrno da órbita da corrente de asteróides chamados Geminianos. Diversos asteróides próximos da Terra são alvos relativamente fáceis para as missões espaciais. Em 1991 a sonda espacial Norte Americana Galileo, em seu caminho para Júpiter, tirou as primeiras fotografias bem próximas de um asteróide. As imagens apresentadas de um pequeno e assimétrico corpo o 951-Gaspra, sarapintado de crateras, revelava evidências de uma cobertura de material solto, fragmentado, ou regolito, cobrindo a superfície do asteróide. A sonda Galileu também visitou um asteróide nomeado 243-Ida e descobriu que este tinha sua própria Lua, um diminuto asteróide satélite, subseqüentemente nomeado Dactyl, designação oficial do 243-Ida I, porque é um satélite do Ida.
Em 1996 a NASA (National Aeronautics and Space Administration) lançou a nave especial NEAR (Near-Earth Asteroid Rendezvous). A meta da NEAR é alcançar a órbita ao redor do asteróide 433-Eros no início de 1999. Em seu caminho para o 433-Eros, a NEAR visitou o asteróide 253-Mathilde, em Junho de 1997. Com 60km de diâmetro é maior do que os asteróides visitados pela sonda Galileu. Uma miserável pane num momento crucial para a missão NEAR, causou a perda das imagens de Eros quando a nave espacial passava pelo asteróide em Janeiro de 1999. Porém, numa rápida ação feita pelos controladores terrestres, redefiniram o trajeto da nave espacial para acompanhar o vôo do asteróide. A missão NEAR teve um plano de vôo para acompanhar a órbita próxima a Eros até meados do ano 2000. Acompanhando a órbita do 433-Eros por mais de um ano, o projeto NEAR forneceu aos astrônomos, uma melhor idéia da origem, composição, e estrutura dos grandes asteróides. Com exceção de poucos asteróides que foram diagnosticados como oriundos da Lua e de Marte, a maioria dos meteoritos recuperados na Terra, supõe-se que sejam fragmentos de asteróides.
Observações remotas dos asteróides por telescópios espectroscópio e radares suportam estas hipóteses. Elas revelam que os asteróides, tais como os meteoritos, podem ser classificados dentro de poucos tipos distintos. Três quartos dos asteróides visíveis da Terra, incluindo o 1-Ceres, pertencem ao tipo "C", que parecem estar relacionados à classe dos meteoritos pedregosos conhecidos como Carbonáceos ou Condritos. Estes meteoritos são considerados os mais antigos materiais do sistema solar cuja composição reflete a origem da primitiva nebulosa solar. Extremamente escuros na cor, provavelmente por causa do seu conteúdo de hidrocarbonetos, eles mostram evidências de terem adsorvido água de hidratação. Deste modo, sem nenhuma semelhança com a Terra e a Lua, eles nunca foram fundidos, ou re-aquecidos desde os primórdios da sua formação. Asteróides do tipo "S", relacionados aos meteoritos tipo pedregoso metálico tipo "Stony-Iron", fazem um total de 15% dos conhecidos. Muito mais raros são os do tipo "M", correspondendo em composição aos meteoritos conhecidos como Metálicos ou Ferrosos.
Consistem de uma liga de ferro-níquel, eles podem apresentar as cores da fusão de corpos planetários cuja camada externa foi removida por grandes impactos, causadores de imensas crateras. Muito poucos asteróides, notadamente o 4-Vesta, são provavelmente relacionados à mais rara classe de meteoritos entre todos: Os Acondritos. Estes asteróides parecem ter uma superfície ígnea, cuja composição é muito semelhante aos fluxos de lava, lunares e terrestres. Assim, os astrônomos estão razoavelmente certos que o 4-Vesta foi, em algum tempo de sua historia, pelo menos parcialmente fundido. Os cientistas juntam as peças de um complexo quebra cabeça, alguns asteróides foram fundidos, devido ao seu aspecto derretido, mas outros tais como o 1-Ceres, não foram. Uma explicação possível é que no início do sistema solar, havia certa concentração, altamente radioativa de isótopos que podem ter gerado calor suficiente para fundir os asteróides.
Os astrônomos encontraram mais de 200 asteróides cujas órbitas cruzam a órbita Terrestre. Alguns cientistas estimam que milhares destes asteróides que cruzarão a órbita terrestre podem existir e pelo menos 1500 poderiam ser grandes o suficiente para causar uma catástrofe global se eles colidirem com a Terra. As chances, ou a probabilidade de haver tais colisões, são estimadas em uma colisão a cada 300.000 anos. Muitos cientistas acreditam que uma colisão com um asteróide ou um cometa pode ter sido responsável por pelo menos uma extinção em massa da vida na Terra, em toda a história do Planeta. Uma cratera gigante na Península de Yucatán no México marca o ponto onde um cometa ou um asteróide chocou-se com a Terra no fim do Período Cretáceo, há 65 milhões de anos atrás. Este evento aconteceu no mesmo tempo em que desapareceram os últimos dinossauros.
Uma colisão com um asteróide, grande o suficiente para causar a cratera de Yucatán, poderia ter levantado pó e gases na atmosfera causando o escurecimento da luz solar por meses ou até anos. Reações dos gases provenientes do impacto com as nuvens da atmosfera podem ter causado maciças quantidades de chuvas ácidas. Estas são as provas mais cabíveis para justificar tantos animais mortos num espaço de tempo tão pequeno. A chuva ácida junto com a falta da luz solar, poderia ter aniquilado quase todas as formas de vida vegetal e animal, em quase toda a cadeia de alimentos que dependiam das plantas para sobreviverem. O mais significativo encontro da Terra, e que pode ter sido um asteróide, foi na explosão de 1908 na atmosfera encima de Tunguska região da Sibéria. O bólido se desintegrou a 7 km de altitude, mas a força da rajada arrasou mais de 200.000 hectares (mais de 500.000 Acres) de floresta, área maior do que a do município de São Paulo. A energia liberada pelo evento, que não matou ninguém, somente algumas renas, nem causou danos à áreas habitadas, é estimada em 15 megatons, mil vezes maior que a bomba de Hiroshima.
O número de perdas humanas, se houveram, é desconhecido, porque a primeira expedição científica na região aconteceu somente duas décadas mais tarde. Esta expedição e outros estudos detalhados, não encontraram evidência de que o impacto causou uma cratera. Isto leva os cientistas a acreditarem que uma grande geração de calor, através da fricção do objeto com a atmosfera, foi grande o suficiente para fazer o objeto explodir antes de tocar o chão terrestre. Se o objeto não identificado de Tunguska tivesse explodido em uma área menos remota, as perdas de vidas humanas e os danos materiais poderiam ser espantosos. Os satélites militares, em órbita ao redor da Terra, que rastreiam explosões, que poderiam evidenciar sinais de violação de tratados de armas nucleares, têm detectado dezenas de explosões de asteróides na atmosfera todos os anos. Mais recentemente, em 1990 caiu outro bólido em Sterlimak na República Russa de Bashkiria, abrindo uma cratera de 10 metros de diâmetro.
No Brasil, o meteorito de Bendegó, com seus 5360kg, um hipotético fragmento do núcleo do planeta Kryptos. Foi encontrado nas proximidades do Rio Vaza Barris no Estado da Bahia. No leito daquele riacho, o meteorito que após ter entrado na curva do tempo, esteve enterrado até 1785, quando foi encontrado pelo Seu Joaquim da Motta Botelho. O Geólogo Norte Americano, naturalizado brasileiro Orville A. Derby foi um grande estudioso dos meteoritos Brasileiros, tendo dado uma atenção especial, em 1890 ao "Bendegó", na realidade é um Siderito, oriundo do núcleo do planeta oculto, cuja composição maior é níquel e ferro. Atualmente este Siderito encontra-se no Museu Nacional do Rio de Janeiro.
Em 1995 o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e a Força Aérea Norte Americana, iniciaram um projeto chamado NEAT (Near-Earth Asteroid Tracking), com o objetivo de rastrear e monitorar a trajetória dos asteróides próximos da Terra. O projeto NEAT usa um observatório no Hawaii para pesquisar os asteróides cujas órbitas poderão ameaçar a Terra. Nestas estações de rastreamento de asteróides, os cientistas podem calcular a órbita dos asteróides, com precisão, e determinar se estas órbitas no futuro se chocarão com a Terra. Os astrônomos acreditam que os programas de rastreamento tais como o NEAT, provavelmente alertarão o mundo com décadas ou séculos de tempo para qualquer possibilidade de colisão com asteróides. Cientistas têm sugerido diversas estratégias para desviar os asteróides de uma colisão com a Terra. Se os asteróides estiverem muito distante, uma ogiva nuclear poderia ser usada para explodir o asteróide em muitos fragmentos sem maiores danos para a Terra, supõem alguns cientistas...
Outra estratégia sugerida seria atacar o asteróide com um foguete para retirá-lo da sua órbita de colisão, sem destruí-lo, apenas desviando-o de sua órbita. Todos estes métodos requerem que o asteróide esteja bem distante da Terra para haver tempo suficiente para lançar todas estas engenhosidades. Indubitavelmente, se um asteróide explodisse próximo da Terra, estilhaços desta fantástica explosão poderiam causar danos irreparáveis. Entretanto, qualquer esforço para desviar o asteróide de seu curso de colisão, requer anos de trabalho dirigido para este fim, com grandes possibilidades de falhas, inerentes a uma empreitada desta envergadura.Os asteróides, são muito maiores, e possuem uma energia cinética muito grande para um foguete desviá-lo de sua rota rapidamente. Se os astrônomos descobrirem um asteróide em rota de colisão com a Terra, com menos de dez anos de prazo, não haveria tempo suficiente para se fazer qualquer coisa a não ser uma oração...
A palavra Latina stella cometa, que significa uma "estrela cabeluda", são corpos celestes relativamente pequenos, rochosos e congelados, com órbitas ao redor do sol. Quando um cometa se aproxima do sol, parte do seu gelo se transforma em gases. O gás, mais a poeira solta, cria uma longa e luminosa cauda, uma corrente que acompanha o cometa na sua trajetória. O aparecimento de grandes cometas era considerado como fenômenos atmosféricos até 1577, quando o astrônomo dinamarquês Tycho Brahe provou que eram corpos celestes.No século 17, o cientista britânico Sir Isaac Newton demonstrou que o movimento dos cometas estava sujeito às mesmas leis que controlavam os planetas em suas órbitas. Através de comparações dos elementos da órbita de um número de cometas mais recentes, o astrônomo inglês Edmond Halley, demonstrou que os cometas de 1682 eram idênticos com outros dois que apareceram em 1607 e 1531, e previu, com sucesso o retorno do cometa em 1759. Os primeiros registros do aparecimento do Cometa Halley, datam de 240 AC, e provavelmente o brilhante cometa observado em 466 AC, foi também uma aparição do famoso cometa.A mais recente passagem do cometa Halley ao redor do Sol foi no início de 1986, e a próxima será em 2063. Durante sua mais recente passagem pelo Sol, o Cometa Halley foi visitado por duas sondas Soviéticas a Vega 1 e a Vega 2, e por outro aparato instrumental chamado "Giotto", lançado pela Agencia Européia Espacial. Sua passagem também foi observada a grande distância por duas sondas Japonesas.
Em 1999 os Estados Unidos lançaram a espaçonave chamada "Stardust", que significa poeira estelar, para visitar um cometa chamado Wild 2. A Stardust está agendada para retornar á Terra com uma amostra da poeira estelar do Wild 2 em 2006. Um cometa é geralmente considerado como um corpo celeste que consiste de um pequeno e pontiagudo núcleo, o halo engastado em um disco nebuloso chamado "coma"ou "cauda". O astrônomo Americano Fred L. Whipple, propôs em 1949 que o núcleo, contém praticamente toda a massa do cometa, tal como uma "suja bola de neve" um conglomerado de gelo e poeira.
A maior prova da Teoria da Bola de Neve, está em vários dados. Para alguns, os gases que são observados, e as partículas meteóricas que são injetadas comprovam que o halo e a cauda dos cometas, a maioria dos gases são fragmentos moleculares, ou radicais dos mais comuns dos elementos do espaço: hidrogênio , carbono, nitrogênio, e oxigênio. Os radicais, por exemplo, de CH, NH, e OH podem ser quebrados e descartados das estáveis moléculas CH4 (metano), NH3 (amônia), e H2O (água), que podem existir como gelo ou em formas mais complexas, compostos extremamente congelados no núcleo. Outro fato que suporta a teoria da Bola de Neve é que os mais bem observados cometas, movem-se em órbitas que se desviam significativamente do Movimento Gravitacional Newtoniano. Isto fornece clara evidência que os gases que escapam produzem uma ação a jato, impelindo o núcleo do cometa, em suave deriva de sua trilha previsível. Em adição, cometas de curto-período, observados em muitas revoluções, tendem a se apagar vagarosamente com o tempo, como seria esperado no tipo de estrutura proposta por Whipple. Finalmente, existe um grupo de cometas que mostram seus núcleos como unidades sólidas. A cabeça do cometa, incluindo o enevoado "Coma", pode exceder o planeta Júpiter em tamanho. A porção sólida da maioria dos cometas, entretanto , é equivalente a apenas alguns quilômetros cúbicos.
A poeira enegrecida do núcleo do cometa Halley, por exemplo, é aproximadamente 15 por 4 km em tamanho. Quando um cometa se aproxima do Sol, o calor solar evapora, ou sublima o gelo, então o cometa brilha intensamente. Isto poderá desenvolver uma cauda brilhante, algumas vezes estendendo-se a milhões de quilômetros no espaço adentro. A cauda é geralmente direcionada no sentido contrário do Sol, mesmo quando o cometa retrocede. A grande cauda dos cometas é composta de simples moléculas ionizadas, incluindo o monóxido e o dióxido de carbono. As moléculas são desprendidas do cometa através da ação dos ventos solares, uma fina corrente de gases quentes continuamente injetadas da coroa solar, a atmosfera mais externa do Sol, a uma velocidade de 400 km por segundo. Freqüentemente os cometas também apresentam caudas menores, compostas de fina poeira assoprada do halo através da pressão da radiação solar.
Estas caudas de poeira são usualmente menores, mas brilham tanto quanto as caudas iônicas. Astrônomos descobriram um terceiro tipo de cauda de comentas no Hale-Bopp, um cometa que brilhou no céu da Terra de 1996 a 1997. A terceira cauda do Hale-Bopp era bem estreita e não era visível a olho nu. Era composta de átomos neutros (sem cargas elétricas) de Sódio e brilhavam num tom amarelo desbotado. Quando um cometa retorna do Sol, a perda de gases acompanhada de poeira decresce em quantidade, e a cauda vai desaparecendo. Alguns dos cometas, com órbitas menores, têm caudas tão curtas que elas são praticamente invisíveis. Por outro lado, pouquíssimos cometas têm cauda que excedem 320 mil quilômetros em comprimento. A variação em tamanho da cauda, junto com a aproximação do Sol e da Terra, incrementa a variação da visibilidade dos cometas. Por volta de 1400 cometas registrados, pouco menos que a metade das caudas foram visíveis a olho nu, e menos do que 10% eram proeminentes. Os cometas têm órbitas elípticas, e os períodos de uns 200 cometas têm sido calculados, isto é, o tempo que eles levam para orbitar o Sol, numa volta completa. Estes períodos variam de 3.3 anos para o Cometa Encke até 2000 anos para o Cometa Donati visto em 1858. As órbitas da maioria dos cometas são tão vastas que elas são indistinguíveis de parábolas — curvas abertas que levarão os cometas para fora do sistema solar — mas através de técnicas analíticas sofisticadas, os astrônomos assumem que elas também são elipses, com grande excentricidade , com períodos tão longo quanto 40.000 anos ou possivelmente muito maior.
O brilhante cometa Hyakutake, que foi visível da Terra em 1996, tem um fantástico período estimado em 10.000 anos. Nenhum cometa conhecido se aproximou da Terra com uma órbita hiperbólica; isto significaria uma origem externa ao sistema solar. Entretanto alguns cometas, nunca mais poderão retornar ao sistema solar por causa da grande alteração da sua órbita original devido à ação gravitacional dos planetas. Porém, tal ação, tem sido observada em menores escalas. Aproximadamente 60 cometas, com curto período, têm suas órbitas influenciadas pelo planeta Júpiter, e são ditos pertencerem à Família de Júpiter, seus períodos variam de 3.3 a 9 anos. Quando diversos cometas, com diferentes períodos viajam próximo à mesma órbita, eles são ditos serem membros do Grupo do Cometa. O mais famoso grupo inclui o espetacular Pastor do Sol chamado, Ikeya-Seki, de 1965, e sete outros tem períodos de aproximadamente mil anos. O astrônomo americano Brian G. Marsden concluiu que o cometa de 1965 e o mais brilhante cometa de 1882, partiram-se de um único cometa paterno, possivelmente um que apareceu em 1106. Este cometa e outros do grupo provavelmente subdividiram-se de um cometa verdadeiramente gigante a milhares de anos atrás. Também existe uma estreita relação entre a órbita de cometas e a órbita das chuvas de meteoros. O astrônomo italiano Giovanni Virginio Schiaparelli provou que os meteoros Perseides, que aparecem em Agosto, se movem na mesma órbita que os cometas Swift-Tuttle. A chuva de meteoros Perseides ocorrem a cada ano, de 23 de Julho a 22 de Agosto. O ponto máximo da chuva de meteoros, é o momento quando o maior número de meteoros caem, por hora, usualmente nos dias 12 e 13 de Agosto. A razão em que os Perseides caem é determinada pela localização do Cometa Swift-Tuttle em relação a Terra, quando nosso planeta cruza sua órbita. Repetidas passagens do cometa deixaram um anel de fragmentos chamados "debris" através da órbita do cometa, e quando estes fragmentos entram na atmosfera terrestre, é criada uma chuva de meteoros.
A concentração dos meteoros é mais alta quando o cometa está próximo da Terra. No início do século 20, o pico da chuva de meteoros era bem baixo, algo em torno de 4 meteoros por hora. Entretanto, quando o Swift-Tuttle esteve mais próximo da Terra em 1993, o pico dos Perseides era entre 200 e 500 meteoros por hora. Os meteoros Perseides caem sobre a atmosfera, mas sua trilha pode ser tracejada de um ponto, chamado ponto radiante. O radiante da Chuva dos Perseides é perto da estrela Eta Persei, uma estrela próxima do extremo norte da Constelação Perseus. O primeiro registro das chuvas de meteoros Perseides estão datados nos manuscritos Chineses escritos em 36 AC. Em 1835 um astrônomo belga Adolphe Quételet tornou-se a primeira pessoa a registrar o período natural das chuvas de meteoros. O astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli relacionou os Perseides com o Swift-Tuttle em 1866. Similarmente, os meteoros Leonides, que aparecem em Novembro, foram encontrados seguindo a mesma órbita dos cometas Tempel-Tuttle. A chuva de meteoros de período anual, ocorre no mês de Novembro; são intensas apresentações, verdadeiros shows criados pelos meteoros, ou fragmentos de rochas que entram na atmosfera terrestre, comumente chamada de estrelas cadentes.
A chuva de meteoros Leonides ocorre a cada ano entre o dia 14 e 20 de Novembro, com o pico máximo normalmente no dia 17 de Novembro. A razão máxima de meteoros é usualmente em torno de 10 a 15 meteoros por hora, mas poderá incrementar até milhares de meteoros por hora quando a Terra cruza a órbita do Cometa Tempel-Tuttle quando está nas suas proximidades. Os Cometas deixam uma trilha de poeira em suas órbitas, e quando a Terra passa através da órbita do cometa, a poeira entra na atmosfera causando as chuvas de estrelas cadentes. Os meteoros Leonides aparecem em todo o céu, mas eles parecem se irradiar de um ponto do espaço. Os meteoros realmente se movem em trilhas paralelas, mas o mesmo efeito que faz a convergência das trilhas no horizonte nos dá a impressão que o meteoro tem um ponto central radiante. O ponto radiante dos Leonides é a constelação do Leão "Leo". A chuva de meteoros Leonides é mencionada nas crônicas Árabes e Chinesas datadas de 900AC. O estudo das chuvas de meteoros foi inspirado pela tempestade dos Leonides em 1833. A tempestade foi mais visível no céu ao Leste dos Estados Unidos. Uma chuva muito brilhante caia numa razão de milhares de meteoros por hora por um extenso período de tempo, causando grande pânico na população. Assim, os cientistas publicaram muitas teorias para explicar estas tempestades. O astrônomo americano Denison Olmstead publicou que os meteoros pareciam se irradiar de um ponto muito distante do espaço. Também noticiou que uma tempestade similar ocorreu no ano anterior na Europa. Esta observação levou-o a concluir que as tempestades são causadas por uma nuvem de partículas do espaço. O astrônomo alemão Heinrich Olbers pesquisou muitas historias similares de tempestade de meteoros, predizendo um retorno, de intensidade semelhante a cada 33 anos. Houve outra tempestade em 1866 e 1865, sendo que em 1866 o astrônomo francês Ernst Tempel e o americano Horace Tuttle independentemente descobriram o cometa que ficou conhecido como Cometa Tempel-Tuttle. O primeiro cometa emparelhado com chuvas de meteoros foi o Cometa Swift-Tuttle e a chuva de meteoros são as Perseides. A chuva Leonides de 1998 teve um pico de centenas de meteoros por hora. Alguns astrônomos acreditam que a chuva de meteoros Leonides de 1999 foi muito intensa, tanto quanto a que houve em 1833. Diversas outras chuvas e tempestades de meteoros tem sido relatacionadas com órbitas de cometas conhecidos, o que explica os fragmentos semelhantes a materiais tipo terrosos, ou rochosos, ao longo de suas órbitas.
Os Cometas, já foram acreditados serem oriundos do espaço interestelar. Embora não haja teorias mais detalhadas, que sejam amplamente aceitas, muitos astrônomos atualmente acreditam que os cometas se originaram no espaço externo, a mais fria parte do sistema solar, material residual planetário dos primeiros tempos da formação do sistema solar. O astrônomo holandês Jan Hendrik Oort tem proposto que uma "nuvem depósito" do material dos cometas tem sido acumulada bem distante da órbita de Plutão, e os efeitos gravitacionais das estrelas passantes, estão enviando material para dentro do sistema solar, onde são visíveis como cometas. A longa história dos cometas tem sido carregada por muitas supertições como presságios de calamidades ou de importantes eventos. A aparição de um cometa também tem levantado o medo de uma colisão entre o Cometa e a Terra. A colisão do núcleo de um cometa, com uma grande cidade, provavelmente causaria sua destruição, mas a probabilidade de ocorrer um evento deste tipo é pequena. Por outro lado pode-se se dizer que as estatísticas e o estudo das probabilidades não são ciências exatas. Entretanto as tais colisões já aconteceram no passado astronômico na longa história geológica do Planeta Terra. Os cientistas que estudaram o Hele-Bopp encontraram moléculas de compostos químicos no cometa que são muito similares àqueles que se imagina terem trazido e espalhado a vida no planeta Terra. Os Cometas podem ter fornecido água para a atmosfera terrestre além de importantes moléculas químicas, mas uma colisão entre a Terra e um Cometa de tamanho considerável pode ter alterado o clima de forma significativa e proporcionado a extinção dos dinossauros. Alguns astrônomos acreditam que milhares de pequenos e finos cometas com 6 a 9 metros de diâmetro colidem na atmosfera terrestre a cada hora. Os proponentes desta teoria dizem que estes cometas são quase que totalmente compostos de água na forma de gelo, e podem ter tido uma função na formação dos oceanos, através do acúmulo de água na atmosfera nos tempos primordiais. Em 1992, o famoso Cometa Shoemaker-Levy-9 partiu-se em 21 grandes fragmentos quando este cometa aproximou-se do fortíssimo campo gravitacional do planeta Júpiter. Em Julho de 1994, durante uma semana, houve um intenso bombardeamento. Os fragmentos impactaram estrondosamente a densa atmosfera do planeta Júpiter com velocidades fantásticas de 210.000 km/h. A quantidade de movimento destes fragmentos, o produto de sua massa pela sua velocidade, geraram impactos com enorme Energia Cinética, que pela Lei da Conservação da Energia, imediatamente é convertida em calor, som, deformação da superfície e posterior formação de maciças explosões, algumas resultando em bolas de fogo muito maiores que a Terra... Aqui encerro os prolegômenos sobre os asteróides e os cometas, agradecendo a atenção do paciente leitor que conseguiu terminar esta leitura, meio pedregosa, não muito no estilo Readers Digest, porém necessária para se obter uma compreensão mais racional do nosso universo e até a possibilidade duma Kryptonita...

Ingleses descobrem planeta prestes a se chocar

AE-AP - Agencia Estado

WASHINGTON - Astrônomos descobriram o que parece ser um gigantesco planeta "suicida". Ele está tão próximo da estrela em que orbita, que produz gigantescas marés do gás superaquecido do astro. Essas marés, por sua vez, estão afetando a órbita do planeta. "Ele está causando a própria destruição, ao provocar essas marés", disse Coel Hellier, astrofísico da Universidade Keele, na Inglaterra. O resultado é uma dança da morte, na qual o planeta descreve uma espiral que o levará a chocar-se na estrela. A descrição do fenômeno está na edição desta semana da revista ''Nature''.O planeta, Wasp-18b, pode ter ainda um milhão de anos pela frente, disse Hellier, o descobridor do novo mundo. A estrela é chamada Wasp-18 e o planeta, Wasp-18b, porque foram ambos descobertos pelo programa Wide Angle Search for Planets (Busca de Ângulo Amplo por Planetas). O planeta orbita a estrela na constelação da Fênix e está a cerca de 325 anos-luz da Terra, o que significa que está na vizinhança galáctica.O planeta está a 3 milhões de quilômetros de sua estrela, ou 2% da distância que separa a Terra do Sol. Por conta disso, a temperatura em sua superfície é calculada em cerca de 2.100ºC. Seu tamanho - 110 vezes maior que a Terra - torna sua morte provável, disse Helier. A descoberta de um planeta suicida é algo tão raro que o astrônomo Douglas Hamilton, da Universidade de Maryland, questiona se não haveria outra explicação para a presença de Wasp-18b. A resposta será conhecida dentro de uma década, quando estará claro se o planeta realmente está mergulhando numa espiral suicida.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Empresas europeias planejam megausina solar no Saara

O Saara forneceria eletricidade para 15% da Europa.

Um consórcio de empresas de multinacionais – que reúne gigantes como Siemens, RWE, E.On e Deutsche Bank, entre outros – assinou nesta terça-feira uma carta de intenções para criar o maior projeto de energia solar do planeta: a Iniciativa Industrial Desertec. O projeto prevê a construção de uma rede de usinas de produção de energia totalmente limpa no Deserto do Saara, no norte da África, e de redes transmissão de energia, capaz de fornecer pelo menos 15% da eletricidade consumida na Europa, além de dois terços da necessidade do norte africano e do Oriente Médio. O Desertec foi orçado em US$ 577 bilhões e prevê a instalação de uma tecnologia solar de última geração, que utiliza espelhos para concentrar a luz do sol sobre torres de energia que produzem vapor, que por sua vez movimentam turbinas que produzem eletricidade. O calor excedente produzido durante o dia pode ser armazenado em tanques especiais para manter a usina em funcionamento durante a noite ou em dias nublados. A ideia de se aproveitar o sol do Saara vinha amadurecendo há décadas, mas só agora o avanço das tecnologias, tanto solar quanto de transmissão de eletricidade, teria viabilizado o investimento.

Mediterrâneo
A água necessária para criar o vapor que movimenta as turbinas sairia do Mar Mediterrâneo, que dessalinizada – com sal derretido sendo usado nas baterias para estocar calor –, poderia ainda ser reaproveitada em regiões desérticas.
Especialistas sugerem ainda que a sombra dos espelhos poderia ser usada para plantação de espécies que normalmente não sobreviveriam ao intenso calor do deserto.
Essa tecnologia, chamada Concentrando Energia Solar (CSP, na sigla em inglês) já é usada em usinas solares nos Estados Unidos e na Espanha.
A ideia, que surgiu na Alemanha, vem sendo defendida com vigor pelo próprio governo alemão e pela Comissão Europeia, embora ainda existam dúvidas sobre como os problemas políticos de um projeto verdadeiramente internacional como este seriam equacionados.
"O conceito de energia renovável está associado também ao de independência energética. Então, me pergunto por que deveríamos depender novamente de outros para o nosso fornecimento", disse à BBC o especialista alemão Wolfgang Palz, presidente europeu do Conselho Mundial de Energias Renováveis.
Outros acusam a iniciativa europeia de representar um suposto "colonialismo energético" – crítica prontamente rebatida por um dos diretores da Desertec, Michael Straub.
"Da nossa rede de 60 cientistas e especialistas em energias renováveis, a metade é da África e do Oriente Médio. A outra metade é de europeus", afirmou Straub, acrescentando que representantes dos países envolvidos participaram do projeto desde o início.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O Sol Enfraquecido

O sol passa por um de seus períodos mais quietos por quase um século, praticamente sem manchas solares (explosões na atmosfera solar) e emitindo poucas chamas. A observação da estrela mais próxima da Terra está intrigando os astrônomos, que estão prestes a estudar novas imagens do sol captadas no espaço na Reunião Nacional de Astronomia do Reino Unido.

O sol normalmente passa por ciclos de atividade de 11 anos. Em seu pico, ele tem uma atmosfera efervescente que lança chamas e "pedaços" gasosos super quentes do tamanho de pequenos planetas. Depois deste pico, o astro normalmente passa por um período de calmaria. Em meados do século 17, um período de calmaria - conhecido como Maunder Minimum - durou 70 anos, provocando uma "mini era do gelo". Por isso, alguns especialistas sugeriram que um esfriamento semelhante do sol poderia compensar os efeitos das mudanças climáticas.


Mas segundo o professor Richard Harrison, do Rutherford Appleton Laboratory, o atual período de baixa atividade do sol poderá durar pouco. "Não sabemos até quando esse período vai durar. Pode ser que amanhã o sol já fique mais ativo, não temos como saber," diz Harrison. Há evidências que mostram que o sol está enfraquecendo desde 1985, mas isso não ajudou a baixar as temperaturas causadas pelo aquecimento global.

terça-feira, 31 de março de 2009

Entropia e Desordem

" The problem with any unwritten law is that you don't know where to go to erase it."
As grandezas da Energia do Trabalho e Calor deveriam se tornar mais populares, para ações efetivas de diminuir ou estabilizar o aquecimento global, e economizar efetivamente energia, evitando as locomoções desnecessárias. Certamente teremos de discutir em maior profundidade os conceitos de Energia, Trabalho e Calor. Então, vamos nos familiarizar com as unidades tipo "BTU, erg, ft/lb, ev.h, Joule, cal, Kcal, KWh, eV, KeV, MeV" e suas conversões. Por hoje ficaremos somente com Kcal e Kwh para simplificar os exemplos.

- Suponha que você "mexe com uma colherinha" uma xícara de café, então remove a colher. No estado incial existe um movimento ordenado de rotação do café. No estado final de equilíbrio existe um movimento caótico molecular. Certamente neste processo natural e irreversível a desordem aumentou. Da mesma forma, como já foi exemplificado na festa de rap e funk no alto do morro do Alemão, lá no Rio. Vamos discutir a relação quantitativa entre entropia e desordem. Em mecânica estatística, ou mecânica quântica, a desordem adquire significado preciso e é expressa, em conexão com a Entropia, pela equação S=K.ln.(w), onde 'S' é a entropia do sistema, 'K' é a constante de Boltzmann, e 'w' é o busílis, como já foi explicadao anteriormente, ou seja o 'parâmetro de desordem' , é a probabilidade de que o sistema existirá no estado em que se encontra, relativamente a todos os estados possíveis em que poderia encontrar-se com uma grandeza estatística, que é a probabilidade. Mas, no nosso exemplo de hoje, estudaremos a probabilidade de um funcionário de uma empresa de cargas trabalhar em casa, ao invés de atravessar todo o trânsito paulistano diáriamente, como milhares o fazem. Analisemos a economia dos processos.

Estudo de Caso (A) - Trabalhador usa o automóvel para ir ao trabalho. -

Vamos exemplificar um caso hipotético de Entropia e Desordem. O Sr. Tibúrcium trabalha na empresa de Logística e Cargas Aéreas, a Leve-Logo Cargo. Mora lá nos quintos do Taboão da Serra, fim da Avenida Francisco Morato e trabalha lá nos confins da Avenida Rubem Berta na função de elaboração de dados Logísticos, trabalha com o computador quase o dia inteiro. Sua missão diária começa bem cedo, umas 5:00hs da manhã para atravessar todos os 50km de ida e mais 50km de volta. Possui dois carros populares, um para seu uso e outro para a sua 'patroa' levar as crianças na escola, fazer compras, fazer consultar no médico, buscar as crianças na escola etc. Seu almoço de quarta feira foi uma feijoada com bistecas de porco, batatas fritas e outros acessórios que totalizam umas 4000 cal. Mais o lanche da manhã e da tarde de café com leite e pão com manteiga presunto e queijo, sucos, e bolachinhas mais umas 1000 cal. O médico já recomendou uma dieta severina de cenoura ralada com suco de limão, duas colheres de arroz e duas de feijão, mas o regime vai ficar para depois das férias, hoje o total foi de 5000cal ou 5 kcal. O econômico carro de 1000 cilindradas faz 10km/l de gasolina de boa qualidade (da Petrobrás!) que tem o poder calorífico de, 7500 kcal/l. Nos 100 km diários ele gastou 10 litros de gasolina à R$2,50 são R$ 25,00 reais, mais o calor dissipado de 75000 kcal / dia ou 87,2 KWh/dia que não é contabilizado pelos sistemas econômicos, estes 87 KWh por dia são acumulados no aquecimento global e ainda não são quantificados. O seu almoço e lanche são de 5000 cal ou 5 kcal/dia daria uns 5,82exp-3 kwh/dia, sua dissipaçãp térmica não afeta o aquecimento global, mas o carro são cinco dias por semana 18000000 Kcal por ano de dissipação térmica, 18GKal x (1-0,32) =12,24Gkcal de calor dissipado para este único carro em trânsito com um alto rendimento mecânico de 32% que se transforma em Quantidade de Movimento e Energia Cinética aplicada nas rodas do veículo. O restante 68% é dissipação térmica, som, atrito mecânico, e eventualmente uma deformação mecânica em curto espaço de tempo, são as "batidas".

Estudo de Caso (B) - Trabalhador usa o computador para fazer o trabalho em casa. -

O seu serviço consiste em armazenar no sistema da empresa todas as cargas que deverão ser despachadas. Este trabalho é feito com perfeição e tranquilidade na planilha spreadsheet no Lotus 1,2,3 onde são colocados os nomes do remetente, nome do destinatário, peso, identificação do conteúdo, valor do frete, valor do seguro e da carga, dados que lhe foram enviados pela WEB. Seu trabalho é elaborar as planilhas diárias, salvar em banco de dados, e gerar etiquetas de despacho para as embalagens das mercadorias que seguirão de avião...
Tarefas perfeitamente realizáveis em casa, enviadas para a Leve-Logo Cargo pela Internet e geradas as etiquetas pelo Sistema de Rede. Trabalhos iguais, porém ganhos em qualidade de vida, menos um automóvel no engarrafamento da Avenida Rubem Berta, ganho com a saúde fisica e mental, pois o funcionário vai fazer a dieta de 2,91exp-3 kwh, a metade da atual , vai ajudar a patroa a cuidar do bebê, com uma ajuda nas tarefas da casa, tipo assim como vigiar um assado, temperar uma salada, desligar um cozido, entre outras coisas tais.
Menos riscos de perdas de tempo no trânsito engarrafado, menos riscos de acidentes de trânsito, menos riscos de assaltos, multas, menos poluição, menos pressão alta e nenhuma dissipação térmica, trabalho igual, satisfação pessoal muito maior. Regime e exercícios sendo colocados nas prioridades de resgatar a qualidade de vida. O estudo de caso mostra a diferença do tratamento mecanicista, linear e cartesiano de uma atividade específica, comparado com um tratamento holístico, com foco nas relações humanas, dentro de um socialismo científico, obtido através de uma visão sistêmica dos conjuntos envolvidos. Mas o que tem a ver o exemplo do funcionário com a xícara de café ? Tudo a ver , é uma questão de "escala". Na escala microscópica as moléculas de café estão em movimento caótico após a agitação. Considerando que a somatória de todos veículos podem ser simulados como o movimento das moléculas em determinado instante, este também é caótico, quando os motoristas buscam rotas alternativas para fugir do trânsito a probabilidade de encontrá-lo na rota pré estabelecida é pequena, trata-se de evitar o movimento caótico na hora do rush. Lembramos que no universo, o caos é o estado natural de todas as coisas, desde as mais simples, como agitar uma xicara de café, até as mais complexas, como o carregamento de um Boeing 747 Cargo. Um exemplo bem simples da mecânica quântica ou das probabilidades: - Digamos um baralho, qual a probabilidade de ser encontrado na seqüência correta de ás à ás, as cartas de Ouro, Espada, Copas, e Paus ? Uma, e somente uma. E qual a probabilidade de ser encontrado na forma desordenada, ou caótica ? Infinita ... Qual a probabilidade de se encontar uma cozinha limpa e devidamente organizada ? Uma, e somente uma, após a vinda da diarista ou no dia que você resolve encarar o assunto de facto. E a cozinha suja e engordurada, cheia de panelas e talheres para serem lavados ? Infinitas possibilidades. O homem se esforça, em todas as atividades humanas para espantar o caos, porque no fundo, ele deseja "Ordem e Progresso", embora seja um lema que exije tenacidade e perseverança. Para quem gostou deste assunto, e quer se aprofundar nele, recomendo "Entropy and Disorder" por P.G. Wright em "Contemporary Physics", 1970.
No fundo, todo mundo é um cientista maluco, e a vida é um laboratório de durabilidade finita de uns cem anos, isso para os bem aventurados. A gente está sempre experimentando, tentando achar um jeito de viver, de resolver os problemas, de se livrar da loucura do caos e desta burocracia. O movimento das Galáxias também está dentro da teoria do caos, mas este deixaremos para uma ocasião mais apropriada, por hoje, já seria demais.
Imagine o leitor, quantos trabalhos de análise e eleboração de projetos, trabalhos burocráticos, trabalhos de elaboração de relatórios entre muitos outros poderiam ser feitos em casa ? Inúmeros... O que existe é uma cultura residual da "velha mania da mais valia" que vem desde os tempos da Revolução Industrial do final do século 19 e que precisa ser combatida, porque o capitalismo não funciona mais dentro dos antigos paradigmas, sendo que a mão de obra é abundante, ao contrário dos tempos da revolução industrial quando havia a famigerada semana inglesa 9x5, com jornada de 45 horas semanais, destribuída normalmente, entre homens e mulheres, adolescentes e crianças. Os tempo mudaram e a relação do capital e trabalho, históricamente tensas, deveriam evoluir também. O capitalismo não funciona mais nos antigos moldes.

O Brasil tem um programa o PROCEL, executado conjuntamente ao INMETRO, Programa de Redução de Consumo Elétrico em que cada eletrodoméstico, seja um fogão, geladeira, micro-ondas, freezer entre outros possui uma etiqueta onde apresenta o seu consumo em Kwh/mês. É um bom avanço, atualmente os automóveis já estão apresentando estas etiquetas, bastante ilustrativas sobre o consumo. Mas uma grande evolução quantitativa e qualitativa se daria quando as atividades e as mobilizações fossem apresentadas em KWh/mes ou qualquer outra unidade de Energia e Dissipação Térmica. Entretanto, muita atenção é dada à folha do ponto, com aquelas assinaturas repetidas ou ao obsoleto relógio de ponto, mas nenhuma atenção é dada aos KWh/mês que são disperdiçados. Todo o KWh/mês desperdiçado deveria ser tributado.

A medida que a sociedade capitalista concentra cada vez mais pessoas em grandes metrópolis, as relações sociais se tornam muito mais complexas. Isso é observado na queda da qualidade de vida, trânsitos lentos, violência urbana, dificuldade em se obter a infra estrutura de creches, escolas fundamentais e cursos profissionalizantes, ar poluído, aeroportos sobrecarregados, além das novas variáveis ambientais do clima, com enchentes devido a falta da escoamento das águas pluviais. As medidas adotadas de rodízios de automóveis não tem se mostrado eficientes, talvez tenham até piorado o trânsito devido ao aumento de mais um carro para cada família de classe média, como opção dos dias de circulação proibidas. As jornadas de trabalho em casa são uma alternativa real para aliviar a pressão no trânsito, melhorar a qualidade do ar e diminuir o aquecimento global. É uma questão que envolve uma mudança de padrões culturais, mas que pode melhorar a qualidade de vida nas grandes metrópolis. Esta tomada de decisão em favor dos trabalhos domésticos está no item REJEITAR a exploração do homem pelo capital em favor da qualidade de vida, a política dos 4 R's é um balizador de ações evolutivas bastante significativo.
Finalizando, a Terra está em Trânsito crescente, o fenômeno da Entropia no trânsito, rodoviário, ferroviário e aero-viário precisa de novos paradigmas, para diminuir o caos resultante da Entropia crescente. Mas, partiremos da premissa que Entropia é uma palavra derivada do grego, Em trope, aquilo que está em transformação. Vamos exemplificar com um gás dentro de um cilindro que inicialmente está na posição "Xo", à uma dada Temperatura "To" e uma Pressão "Po", se aplicarmos uma pequena força "F", teremos um incremento na pressão (P+Po), uma variação delta no deslocamento do êmbolo (X+Xo), e consequentemente um incremento na temperatura (T+To). Por que ? Porque nesta condição adiabática, sem troca de calor com o meio ambiente, uma maior compressão vai aumentar a colisão entre as moléculas, aumentando a energia cinética no sistema, aumentando o calor devido as colisões intermoleculares.
A desordem do sistema aumenta, da mesma maneira que se esparramarmos uma montanha de lixo que está confinada em um terreno baldio em dois terrenos baldios. Muito salutar a medida de colocar muros no Rio de Janeiro para preservar suas matas, de invações irregulares e depósito de lixo clandestino. Este exemplo é meramente ilustrativivo para se obter uma analogia com o que ocorre com os sistemas viários. Imaginemos que as moléculas sejam representadas por automóveis, onibus, caminhões, motos, trens, aviões e todos os tipos de transporte, sujeitos à pressões diversas. A medida que se aumenta a velocidade e a energia cinética, aumenta a energia degradada na forma de atrito, geração de calor, som, deformação por impactos, mas, principalmente na energia degradada na forma de CO2 e Calor. Isso se deve devido ao aumento dos automóveis, trens e aviões em um universo fechado, tais como rodovias, ferrovias e as pistas aéreas, todas sendo cada vez mais utilizadas sem um correspondente aumento da infra-estrutura rodoviária, ferroviária e aeroviária, como conseqüência, aumento dos acidentes, atrasos nos aeroportos, e muita geração de calor, mal humor e pouca luz no mundo das idéias. Alternativas existem, a Energia Solar...
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Nota do escritor : A empresa IBM já está experimentando computadores que auxiliam os médicos acompanharem sintomas vitais dos seus pacientes à distância com êxito. Sem dúvidas, os exemplos de novas aplicações de serviços pela Internet, principalmente visando diminuir a burocracia em cartórios, são plenamente exequíveis e diminuiriam o trânsito.